O MITO DO ÓLEO DE ARGAN



Não aguento mais essa obsessão - #prontofalei! – por um ingrediente que vem de uma única reserva florestal no Marrocos, "o ouro do marrocos" ou seja, é um recurso limitado e caro. Apesar da sua extração ser sustentável, já há um declínio e mudanças no processo de produção, o que a longo prazo é predatório. Essa demanda louca por ele não é nada saudável para o ecossistema do local. O que acaba acontecendo é que os fabricantes usam só um pouquinho dele com diversos outros ingredientes muito mais baratos e disponíveis, sejam naturais ou não. Sugiro abrir o olho, ler os rótulos, procurar comprar produtos locais, provenientes de fontes não poluentes e sustentáveis. Assim incentivamos a nossa economia e protegemos o meio ambiente, principalmente porque o Brasil é o maior fornecedor de matéria do mundo para cosméticos.

A indústria da beleza, assim como a da moda, está sempre buscando as últimas novidades. É inerente ao ser humano essa eterna busca pela fonte da juventude. E claro que isso tem muito a ver com a nossa relação com a auto-imagem e a mortalidade, dois assuntos super delicados e um pouco tabu, na minha opinião. Enfim, o fato é que todo ano se houve falar de alguns ativos  nos cosméticos que acabam virando moda. Mas uma das maiores febres que já presenciei é o óleo de argan. Supostamente milagroso (quantas vezes já não ouvimos isso antes?) para resolver todos os problemas dos seus cabelos. Mas será que ele é isso tudo, comparado a outros óleos?  Há milênios as mulheres em todos os cantos do planeta usam óleos vegetais disponíveis no seu ecossistema para tratar a pele e os cabelos. A natureza é tão rica e oferece tantas opções - Oliva, abacate, semente de uva, babosa, jojoba, rosa mosqueta, buriti, cupuaçu... porque essa fixação no argan?

Tenho impressão que essa fama vem da tecnologia atual, que consegue combinar vários ingredientes e óleos diferentes, criando bons produtos, e estão vendendo apenas a “marca” argan, exótica e difícil de conseguir, por isso tudo mundo quer. Eu já vi que numa daquelas marcas que ficaram famosas pelo argan, de embalagem azul (não vou dizer o nome) a fórmula leva óleo de coco. Se é para usar coco, porque gastar tanto comprando um produto importado, que vem do outro lado do mundo? Vocês já pararam para pensar na emissão de carbono e impacto da sua escolha? Além do que, nem todo óleo é bom para todos os tipos de cabelos e pele. Cada pessoa tem um pele única, e que pode mudar ao longo dos dias, meses e anos, portanto o ideal é experimentar e observar, ver o que cai bem agora. Milagre não existe, pelo menos em relação a cabelos...