Minha avó: Exemplo de Beleza

Desde que me entendo por gente, lembro da dona Zina sempre impecável, super bem-vestida e cheirosa, e perfume só se fosse francês! Era o tipo de mulher que não saía de casa, e não receberia ninguém sem estar apresentável. Ela dizia que até a lingerie era importante, afinal se acontecesse alguma coisa e você fosse parar no hospital, podiam te ver com uma calcinha velha, e imagine que vergonha isto seria! Nascida em 1920, teve uma infância e vida difíceis, mas com um instinto de sobrevivência e visão de grandeza, tanto que acabou indo parar em Brasília, trabalhando em alto cargo judiciário. Tornou-se uma grande dama, anfitriã perfeita, recebia com toda a pompa e circunstância a alta sociedade brasiliense. E o guarda roupa incrível? Tudo de Paris, é claro.

Antes disso ganhava a vida bordando e fazendo crochê para os ricos no Maranhão. Aliás, era uma verdadeira artista. Bordou cada peça do enxoval de casamento da minha mãe, lençóis e toalhas que existem até hoje, usados pela família como relíquias. Mulher de personalidade forte e não muito fácil de lidar, mas muito generosa e adorada por muita gente. Mas o que mais chamava atenção na vovó sempre foi sua beleza e pele invejáveis. Sua rotina foi sempre básica mas religiosa: limpeza, tonificação, hidratação. Cuidou muito bem da pele a vida inteira. A idade dela foi uma incógnita para mim até ela ir parar no hospital uma vez, ninguém tinha muita certeza de quantos anos ela tinha, primeiro porque na época em que ela nasceu não se registrava os filhos no dia do nascimento, segundo porque ela sempre pareceu muito, mas muito mais jovem, e NUNCA fez plástica! Dormia no formol, não era possível, um caso a ser estudado pela ciência. 

Uma vez quando era adolescente perguntei para ela qual era o segredo. Ela disse que nunca perdeu uma noite de sono, nunca foi a uma boîte e nunca bebeu. Mas eu sabia que não era só isso, e mais recentemente, passei a ser mais incisiva, até ela confessar. E enfim tive a resposta: Helena, Elizabeth, Esteé. As grandes pioneiras da indústria da beleza – diga-se Rubinstein, Arden e Lauder. Agora, imagine a dificuldade para conseguir importar, e o preço desses produtos em meados do século 20? Mas isto nunca foi impecílio, ela dava um jeito, mesmos nos tempos de dificuldade financeira. Nada orgânico, eu sei, até porque naquela época ninguém sabia nada sobre toxidade. Mais tarde trocou por fórmulas de manipulação receitadas pelo seu dermatologista, que ela chamava de “remédios” para disfarçar o que eram. Acho que ela teve grande influência na minha vida, na minha vaidade e paixão por cosméticos. 

Forte como um touro, bahiana arretada, teve câncer de mama aos 73 anos, mas viveu mais 20 anos como se nada tivesse acontecido. Aos 93 anos era 100% lúcida, postura de rainha, memória perfeita, com a agenda telefônica na cabeça, assim com os aniversários de todos da família. Infelizmente a única coisa que a derrubou foi uma recidiva do câncer. Os últimos meses foram sofridos, mas ficou consciente até 2 dias antes de partir. Deixará muita saudade. Mas foi linda, com a pele maravilhosa, parecendo ter 30 anos a menos! Rezo para que ela vá em paz, e quem sabe eu tenha a sorte de herdar sua genética maravilhosa.

3 comentários:

  1. Que pena um texto lindo desse ter só um comentário. deixo aqui o meu também, dizendo que amei. bjs

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  2. Maravilhosa experiencia de vida...ela era miito linda

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Olá, obrigada pelo seu comentário! Equipe Beleza Orgânica